
“Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela” (Jr 29:7)
Por Everaldo Carlos (twitter @everaldocarlos1)
O espaço urbano exerce grande atração sobre as pessoas, transformando-se no local preferencial para a vida em sociedade. Isso faz com que a taxa de urbanização do planeta já ultrapasse os 50%. No Brasil, este número já rompeu a barreira dos 70%. Este processo de urbanização, ocorre de maneira muito rápida e desordenada, gerando problemas sociais, principalmente, nas médias e grandes cidades. Atualmente, as cidades ocupam somente 2% da superfície da terra, mas consomem 75% dos seus recursos (DIAS, 2002). As grandes cidades avançam em nível territorial e populacional. As diferenças culturais crescem dentro dos limites das grandes cidades. Pessoas de diversas regiões do pais vão em busca de sucesso e um melhor posicionamento social ao migrar para esses grandes centros.
As grandes metrópoles são quadros desafiadores de contrastes. Extrema riqueza, e logo ao lado pobreza total. Mansões vizinhas de favelas como exemplo o bairro do Broklin em São Paulo. No mundo todas as grandes metrópoles estão experimentando o maior crescimento de todos os tempos.Isso é um grande desafio, no entanto, representa também uma ótima oportunidade para proclamação do evangelho. Os grandes centros urbanos com sua riqueza e pobreza está exigindo cada vez mais um trabalho exegético, ou seja uma pesquisa profunda do seu comportamento. A necessidade espiritual muitas vezes é deixada de lado por causa da vida frenética do centro urbano. Cada vez mais a igreja precisa fazer um trabalho relevante e agressivo para conquistar o amor das grandes cidades. Assim como o verso Bíblica aponta o cuidado de Deus para com a cidade Barro (2000) afima que: “Deus deseja que sua igreja seja um centro de hospitalidade para cidade. Creio que a visão de Deus para a cidade é que sua igreja seja um lugar onde todos são bem recebidos. A qualquer momento, o estrangeiro é bem recebido entre nós”. Ellen White (2008, p. 304) a mais de cem anos atrás descreveu o ministério urbano como “o trabalho essencial para este tempo.”
A ultima igreja da cidade
Considerando os tempos atuais e uma profunda analise nas profecias, percebemos que pouco tempo resta. Ellen White (1897), em uma de suas carta descreveu uma cena caracteristica urbana: “Quando os homens estão despreocupados, enlevados nas diversões, absortos em comprar e vender, o ladrão se aproxima com passos furtivos. Assim será na vinda do Filho do homem”. Este é o cenário urbano atual, homens e mulheres correndo de um lado para outro. A necessidade de novas igrejas foi a motivação da viagens de Paulo. Em suas viagens missionárias, ele estabeleceu uma nova igreja. O grande movimento urbano missionário começou a partir da cidade de Antioquia, onde se tornou um grande centro missional. Wagner acentua que quando uma igreja é plantada há uma grande facilidade de contato das pessoas com o evangelho. Ele afirma:
“Novas igrejas são o ponto chave para o evangelismo; novas igrejas crescem mais do que antigas,novas igrejas oferecem opções aos que não têm igrejas (unchurched); gerealmente novas igrejas são necessárias (levantando-se contra o argumento de que em determinadas áreas já existe um numero suficiente de igrejas); novas igrejas ajudam as denominações a sobrevivrem e novas igreja ajudam a suprir as necessidades dos cristão”. (WAGNER, 1991, p. 27-40)
A novas igrejas tem um papel importante na proclamação da mensagem nos grandes centros. As atividades sociais devem nortear o plantio de igreja. Esses mesmos projetos devem permear a vida da nova igreja após o plantio como afirma Rubens Muzio ao falar sobre o serviço sócio diaconal.
A novas igrejas são ganhadoras de almas. Em um projeto de plantio em um bairro da cidade paranaense de Tijucas do Sul, as pessoas estavam sedentas pela a mensagem transformadora de Jesus. Mais de 30 pessoas tomaram a decisão por Jesus e entregaram a vida através do batismo naquele local. Essas mesmas pessoas estão motivadas a alcançar outras da comunidade para conhecerem as escrituras. Hoje a igreja esta funcionando a todo vapor. Assim como a afirma Peter Wagner (1993, p. 22): “Elas (igrejas) não serão ganhas para Cristo se alguém não entrar em sua cultura com o amor de Cristo e começar a plantar igrejas. A rapidez com que serão ganhas para Cristo será diretamente proporcional à rapidez da multiplicação de igrejas”.
No processo de plantio de igrejas não se deve excluir o diversos métodos de trabalho. Em um grande centro existe vários tipos de tribos urbanas. Pessoas de diferentes tipos de background. Pessoas vindas de outros países, enfim uma miscigenação étinica. Portando, “não se deve excluir o uso de variados métodos de trabalho na evangelização e discipulado dos não convertidos e de novos convertidos” como afirma Van Rheenen (MCINTOSH,2004, p. 23).
Como um pastor adventista, eu creio piamente que estamos vivendo no tempo do fim. Ao plantar uma nova igreja, sempre trabalho como se ela fosse a última igreja. Jesus Cristo está voltando, e o trabalho deve ser intenso neste sentido. O processo de plantio não é fácil assim como afirma Malphurs (2004, p. 25-26) “Plantar igrejas é uma aventura de fé exaustiva, porém estimulante, que envolve o planejamento do processo de inciar e desenvolver novas igrejas, com base nas promessas de Jesus e em obediência à Grande Comissão”.
Ao plantar uma nova igreja em um centro urbana, deve-se ter em mente a prioridade na pregação bíblica e na transformação de pessoas através do processo de discipulado. Uma igreja missional é um local onde as pessoas são verdadeiramente missionárias. Newton (2007, p 278) afirma que: “a prioridade é da proclamação bíblica, o funcionamento da igreja como igreja,não o funcionamento como uma corporação, empresa, ponto comercial, mas como corpo dinâmico, tendo cada membro capacitado para ajudar o corpo todo a funcionar como uma corporação dos servos de Cristo”.
Os líderes, pastores, obreiros e membros devem estar engajados nesta missão de plantio de igreja nos grandes centros urbanos, assim como a Igreja Adventista Mundial propôs ver site http://portaladventista.org/portal/asn—-portugu/6849-lancado-evangelismo-das-grandes-cidades-na-america-do-sul . Newton (2007, p. 278) fala da sobre a convicção do líder no plantio “…os ministros do evangelho devem estar convictos de seu papel como mensageiros e arautos, sem confundir seu papel com o do Espírito Santo; o ministro do evangelho deve estar convencido de que o Senhor pode e salvará os pecadores e santificará os santos”.
Timothy Keller (KELLER e THOMPSON, 2002, p. 20 e 21) considera que a nova igreja nasce a partir da visão do principal plantador, a qual é compartilhada com o grupo central (grupo básico ou core group). A nova igreja é então moldada e multiplicada (reproduzida) a partir da visão visão do grupo em dois movimentos: do plantador ao grupo e do grupo ao plantador. Dessa interação nasce a perspectiva para uma definição que se torna alvo de evangelização da nova igreja.
Para Ed Stezter (2006, p. 1), o objetivo de plantar novas igrejas é estabelecer comunidade missionais plantadas em sua própria cultura e que busquem atingir a pessoas de dentro das próprias culturas.Ou seja, se uma igreja é plantada em regiões diferentes, a ordem de Jesus de levar a mensagem a todas as línguas, povos e nações será assim cumprida fielmente pelos seus seguidores. O plantio de igrejas entre diferentes tipos de culturas visa construir relacionamentos sinceros e seguros, sendo esse o caminho para atingi-las com o evangelho dentro de sua cultura. Stetzer em contudende em afirmar que “o sucesso de uma igreja plantada está na sua vida espiritual”. (2006, p 3 e 5). Plante uma igreja, tendo em mente que ela poderá ser a última igreja do mundo. Este é meu desejo.
Referências
BARRO, Jorge Henrique, Org. O Pastor Urbano. Londrina: Editora Descoberta, 2003.
____, Jorge Henrique. Ações Pastorais da Igreja com a Cidade. Londrina: Editora Descoberta, 2000.
____.De Cidade em Cidade. Londrina: Editora Descoberta, 2002.
CHOAY, Françoise. O Urbanismo. São Paulo: Perspectiva, 2000
COMBLIN, José. Pastoral urbana. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.
DIAS, G. F. Pegada ecologica e sustentabilidade humana. São Paulo: Gaia. 2002
ENGELS, Friedrich. A questão da Habitação. São Paulo: Acadêmica, 1988.
KELLER, Timothy e THOMPSON, Allen. Manual do plantador de igrejas. Londrina: CBPI, 2002
MALPHURS, Aubrey. Planting growing churches. Grand Rapids: Baker Books, 2004.
MCINTOSH, Gary L. (Org). Evaluating the church growth movement . Grand Rapids: Zondervan, 2004.
MUZIO, Rubens R. (Org.). A revolução silenciosa: transformando cidades pela implantação de igrejas saudáveis : Londrina - um estudo de caso. São Paulo: Sepal, 2004.
NEWTON, Phil. O pastor e o crescimento da igreja. Em: Amastrong, Jonh (Org) O minis-tério pastoral segundo a Bíblia . São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
STETZER, ED. Planting missional churches. Nashville: B. & H. Publishing Group, 2006.
WAGNER, Peter C. Estratégias para o crescimento da igreja. São Paulo: Editora Sepal, 1991.
WAGNER, Plantar igrejas para a grande colheita, São Paulo: Abba Press, 1993.
MEEKS, Wayne. The First Urban Christians. New Haven, CT: Yale University, 1983.
WHITE, Ellen. Carta Nº 21, Ano 1897.
WHITE, Ellen Gould. Medicina e salvacao: tratado de obra medico-missionaria no evangelho. Tradução de Almir A Fonseca. 3.ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008.